Por Jorge Audy, superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e do Tecnopuc
O início do século 21 trouxe consigo a reiteração de uma premissa da revolução da tecnociência da segunda metade do século 20: a de que os complexos problemas sociais, econômicos e políticos das sociedades contemporâneas seriam solucionados por uma nova educação e as transformações geradas pela ciência, tecnologia e inovação (CT&I).
Essa premissa, porém, talvez seja um dos grandes paradoxos do mundo contemporâneo: mesmo com a globalização e as disrupções geradas pelas novas tecnologias, a educação permanece como a última utopia em muitas sociedades. E é exatamente por isso que uma nova educação precisa ser o centro do projeto de desenvolvimento nacional para os países que ainda buscam seu lugar ao sol nos novos tempos.
Nessa discussão, precisamos entender que não é possível separar o conhecimento e a ética de qualquer sistema educativo da política. Também é fundamental compreendermos o papel das nossas lideranças e o que se espera do líder de uma nação moderna.
Tanto no mundo empresarial quanto no mundo político e social, existe uma enorme diferença entre um líder e um gestor. O gestor é aquele que ocupa um cargo e atua no sentido de alocar os recursos existentes visando ao melhor resultado possível no curto e médio prazos. Já o líder foca, antes de tudo, no futuro de sua comunidade; lida com valores, gestão de pessoas e com a construção do futuro; pensa e atua no longo prazo. A função mais importante de um líder é servir aos outros, ajudando as pessoas a atingirem seu potencial.
A maior crise da sociedade em que vivemos, nacional e internacionalmente, é a crise de lideranças. Precisamos, como nunca, de uma nova utopia, uma nova visão de futuro para nosso país. Isso passa por educação, por CT&I e, essencialmente, por lideranças que entendam sua responsabilidade e atuem pelo futuro de suas comunidades.
Por fim, como sociedade precisamos reconhecer que o futuro é o que estamos construindo juntos hoje. Pensemos nisso quando formos escolher o líder de nossa nação para os próximos quatro anos.
*artigo publicado em Zero Hora, 20 de outubro de 2026